Barthes em Godard - críticas suntuosas e imagens que machucam

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Salvo engano, esta é a primeira vez que se abre, no Brasil, para um exame com lupa, os famosos Cahiers du cinéma, uma das revistas mais importantes do século XX, responsável por uma revolução crítica redefinidora da sétima arte como nada menos que poesia.

Uma das teses centrais do livro de Leda Tenório da Motta é a de que tal revolução é análoga, tanto pelos requintes formais de seus artífices — notadamente Godard — quanto pela liberdade intelectual que os mesmos se concedem — como críticos impressionistas que são, livres de modelos acadêmicos explicativos —, àquela de Roland Barthes, o inspirador da nouvelle critique.

Mas este segundo livro que a autora consagra a Barthes trata ainda de uma interlocução entre o semiólogo e o cineasta — clara embora não imediatamente evidente — no plano das respectivas iconologias. Neste caso, assinala uma reviravolta na concepção do que seja a imagem, capaz de reverter a má opinião que pesa sobre ela, na assim chamada sociedade do espetáculo. Une-os a suposição de que, afora ser “mito” — como diria Barthes — ou “justo imagem” — como diria Godard —, a imagem pode ser ainda “imagem justa” — Godard — ou “punctum” — Barthes — e salvar a honra do real.

Auto-exilado, desde os anos 1980, numa cidadezinha suíça dos arredores de Genebra, Godard voltou ultimamente à cena, quando inscreveu um filme no Festival Internacional de São Paulo, venceu o Festival de Cannes e se tornou tema do último livro do importante historiador de arte Georges Didi-Huberman (Passés cites de J.L.G, ainda sem tradução brasileira). Tudo isso acontece no mesmo momento em que pesquisadores do mundo todo redescobrem a obra de Barthes e fazem de seu centenário de nascimento, comemorado em 2015, uma celebração.

Barthes em Godard atualiza essa movimentação intensa e nos convida a saborear o esprit de finesse de dois intelectuais públicos notáveis.

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Etiquetas: barthes, godard, leda